Sentado em um degrau daquela imensa escadaria, observava milhares de pessoas passarem pela calçada. O sol brilhava forte no céu – deveriam ser umas quatro horas. Apesar do frio, gostava do inverno, os dias pareciam mais convidativos, mais movimentados. Fechei minha jaqueta, dei mais uma mordida no meu cachorro-quente e tomei um gole de refrigerante. Algumas pessoas pareciam fazer o mesmo ritual. Aquele momento ali era tudo de que precisava, eram minhas férias. Estava distante do mundo, distante de mim mesmo.
Minha única preocupação passou a ser o fato de ter colocado maionese demais naquele cachorro-quente. Senti-me confortável pela primeira vez sendo mais um na multidão. Esqueci minha busca pela minha própria identidade. Queria comprar um mliagre, estar num cartão postal. Queria ser o cara que fica com a garota e salva o mundo.
Desci as escadas lentamente, admirando o visual. Acabaria voltando ali um dia, ia precisar de férias novamente. Depositei o cartão postal na primeira caixa do correio que encontrei.
