sexta-feira, agosto 17

Sentado em um degrau daquela imensa escadaria, observava milhares de pessoas passarem pela calçada. O sol brilhava forte no céu – deveriam ser umas quatro horas. Apesar do frio, gostava do inverno, os dias pareciam mais convidativos, mais movimentados. Fechei minha jaqueta, dei mais uma mordida no meu cachorro-quente e tomei um gole de refrigerante. Algumas pessoas pareciam fazer o mesmo ritual. Aquele momento ali era tudo de que precisava, eram minhas férias. Estava distante do mundo, distante de mim mesmo.

Minha única preocupação passou a ser o fato de ter colocado maionese demais naquele cachorro-quente. Senti-me confortável pela primeira vez sendo mais um na multidão. Esqueci minha busca pela minha própria identidade. Queria comprar um mliagre, estar num cartão postal. Queria ser o cara que fica com a garota e salva o mundo.

Desci as escadas lentamente, admirando o visual. Acabaria voltando ali um dia, ia precisar de férias novamente. Depositei o cartão postal na primeira caixa do correio que encontrei.

Lembra que quando viajávamos sempre mandávamos uma lembrança para o outro? Talvez essa seja minha última lembrança pra você. Sei que você vai rasgá-lo e vai me odiar mais uma vez. “Sinceramente seu”. Aposto que você vai rir.