terça-feira, agosto 14

Devem ser o quê? Seis horas da tarde? Seis e meia, talvez. Caminho pela cidade a escurecer, os carros passam por mim sem rumo algum. Iluminado pelas milhares de luzes urbanas, sinto a noite ficar mais bonita à medida em que se torna mais artificial, eletrônica. Um espetáculo à parte. O vento frio bate contra meu rosto e faz com que me sinta vivo.

O que eu carrego na mochila? Hoje eu não sei. Me sinto mais livre, a mochila pesa menos. Caminho contra os carros e tudo o que sinto é uma nova batida, novas sensações. Me sinto... eletrônico. Eu vou para o lugar de onde os carros voltam, vou na contramão. Hoje eu não sou eu. Não tenho passado, tenho a madrugada. A luz da minha vida, hoje, é feita de neon.

Você dizia que eu não conseguia ver as coisas com clareza, lembra? Espero que sim, porque hoje eu nem sei quem você é.