Acompanho o mar. Vejo o horizonte passar lentamente na medida em que barco lhe dá adeus. Perco-me olhando as ondas, mas as pessoas fazem o favor de me trazer de volta à realidade. Tenho vontade de me atirar na água. Sinto uma mão no meu ombro, acordando-me de meu sonho. Não sei quem é e, nessas alturas, não estou disposto a me esforçar para tal.
Não sou mais eu, nem sei mais ser eu. Nas águas que passaram vejo meu reflexo, mas não me reconheço. É tempo de mudar. Sou um conceito em evolução: a cada segundo, um novo personagem, um novo eu. Olho para trás e não vejo nada, mas nada significa muita coisa.
Queria me encontrar, entretanto acabei me desencontrando. E me sinto bem assim. Sou todo mundo, não sou ninguém. Sou simplesmente eu, mais um e, ao mesmo tempo, menos um. Novas experiências, novos lugares, novos eus. Por que não?
Olhei ao redor para ver se encontrava você. Nada. Era uma mulher.
- Sonhando acordado? – retirou a mão do meu ombro e esboçou uma risada.
Procurei você novamente. Nada.
- Agora? Espero que não.

