Sentado em uma pedra defronte ao mar, deixo as ondas levarem para longe meus pensamentos. O vento frio arrasta a areia próxima à beira da água, poucos metros de onde estou. Na mão, uma garrafa - whisky, talvez. Tomo um último gole, engulo uma última lágrima. O sol se punha como uma longa despedida.
O frio congela vagarosamente cada osso do meu corpo. Nada me passa na cabeça, somente uma vontade de desaparecer, de nunca mais voltar. Levanto, pego minha mochila e atiro a garrafa à areia. Dou uma última olhada para o sol. Um último adeus.
Estou a quilômetros distante de tudo, e quanto mais tentei me encontrar, mais me perdi. Seguro firmemente, com uma mão, a mochila. Dentro dela, tudo o que guardei na vida: esperança, desejo e mentiras. Não queria uma chance de recomeçar, mas uma oportunidade de acabar tudo, para, finalmente, esquecer o passado. Enquanto isso, continuarei fugindo e acumulando coisas as quais vou querer esquecer também.

